Templates da Lua

Créditos

Templates da Lua - templates para blogs
Essa página é hospedada no Blogger. A sua não é?

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Sanguinare est...

Parei com o livro na mão vendo-a partir...a única pessoa com quem me importei desde que entrei nessa existência maldita.
Fiquei, creio eu, nessa posição por vários minutos, até a situação acabar de se mostrar...
Ela se foi...entrou na minha vida e saiu sem deixar rastros...sozinha no mundo dos vampiros, onde ninguém pode confiar ninguém, pois tudo é uma luta pela vida, e seus antigos amigos agora são comifa.
Fico em dúvida até hoje se minha preocupação realmente foi por ela, ou foi um pouco por mim mesmo, afinal, ela se tornou minha responsabilidade a partir do momento em que a transformei.
O desespero como a muito tempo não sentia a pouco foram consumindo o que resta de minha alma...
A dor era quase física, um aperto...uma angústica...um medo...E cada lembrança de seus cabelos, seu sorriso, seu olhos...tudo...me feria como o corte de um punhal.
O livro começou a escorregar por entre meus dedos, e o barulho seco de sua queda no chão destacou tudo que eu sentia.
Virei-me
--Livros...Pra que? Prateleiras e mais prateleiras de livros, objetos inertes que em nada serviram para evitar que Liliand sumisse, que nao adiantaram NADA para poder protege-la. Malditos traidores!
Nâo sei onde minha mente estava naquele momento, mas recordo claramente do que sentia, raiva, dor, medo, tristeza...e parecia que me atirar contra os livros aliviava, e foi exatamente o que eu fiz, primeiramente peguei livro por livro e arremesei-os um por um contra a parede, o teto...o que estivesse ao meu alcance, mas logo a dor o medo e a tristeza começaram a desaparecer, e o que restou foi a raiva, e passei a arremesar prateleiras inteiras, com toda a fúria que consegui reunir, violência....muitas se quebraram, e teria continuado se nao tivesse sido impedido por uma que veio em minha direção, me pegando desprevenido e fazendo com que caísse no chão por baixo dela. Senti meu rosto quente e molhado, levei a mão aos meus olhos, chorava...como não fazia a 400 anos, mas chorava as unicas lágrimas que eu era capaz, sendo essa a unica coisa presente no meu corpo...chorava, por Lilian, lágrimas de sangue...

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Sozinha...

Sai da casa de Alexandre e andei com todas as forças que tinha, decidida a me afastar o máximo possível do local que até então fora meu abrigo, minha casa, e da pessoa que me tratou como uma familia.
Fugi como uma ladra do meu local de conforto, do meu porto seguro...direto para a noite incerta.
Somente horas depois de minha quase fuga parei para pensar no que tinha feito, no que tinha jogado para o auto, simplesmente me desfiz de tudo que conhecia nesse novo mundo que eu agora pertencia sem olhar duas vezes, e sem dizer um até logo em vez de adeus...
Agora não havia mais volta, na minha mente ele jamais aceitaria meu pedido de perdão, talvez porque fosse o que eu faria em seu lugar.
Olheu em volta e tudo que vi foi uma escuridão que devorava tudo sem dó nem piedade, e me senti solitária, perdida em um lugar estranho onde monstros espreitavam a minha volta, até mesmo o mais leve farfalhar de folhas me causava medo, à mim, uma vampira, um ser na cadeira do topo alimentar...
Mas sabia que estava certa por temer...por temer aqueles iguais à mim, Alexandre havia me contado do que eram capazes, e também que não gostavam de Neófitos, novos vampiros quase sempre causam problema, fazem demasiado alarde, vi até mesmo ele exterminando alguns...
A Besta gritou por sangue dentro de mim e senti o sangue queimar por minhas veias e minha garganta arder com as pessoas vivas a minha volta, lutei para me controlar, não aqui...não agora...
Minha principal preocupação não era a fome que sentia, e sim arrumar aliados, vampiros sozinhos sao presas fáceis para Ancillaes, os antigos vampiros...
Sentei na calçada e olhei em volta, as luzes fortes da cidade me doíam um pouco os olhos, meu estomago doía, e se eu fosse capaz choraria, mas meu organismo ainda nao era forte o suficiente para voltar a produzir lágrimas, então nem mesmo elas me serviriam de consolo agora...
Percebi a presença de outro, alguem igual a mim, e senti olhos cravados em meu rosto, olhei em volta com a esperança de ver Alexandre, de que ele tivesse me seguido, que fosse me chamar de menina mimada e me arrastar para casa...mas as esperanças se esvaíram quando deparei com meu observador. Cabelo loiro caindo na altura das orelhas, repicado e levemente bagunçado, como se nao tivesse visto escova ao acordar, olhos verde-azulados, muito claros, alto, mais que Alexandre com certeza, e quando percebeu que eu o fitava abriu um sorriso que podia ser descrito como de orelha a orelha e começou a andar em minha direção.
-Boa noite dama Escarlate. Não sabia que agora também pessoas com tratamento dentario diferenciado tinham o costume de vir aqui, além de mim é claro.
Me prepara mentalmente para dar uma resposta ferina, mas nao tenho tempo, em poucos segundos o rapaz me pucha pela mão alegremente pela rua.
-Desculpe se fui rude, mas tive uma leve impressão que se eu esperasse para você aceitar uma mão estendida viraria cinzas antes. Me chamo Derick, e você como se chama?
-Achei que vampiros pudessem ler pensamentos.
-Claro, claro que podem! Mas que graça teria saber como você gostou de mim e não tem vontade de sair do meu lado? além de sua reação inicial ter sido somente um pequeno choque pela minha beleza pálida nunca vista antes...hahaha
Dereck, o rapaz, começa a rir sozinho e faz algumas caretas de Don Juan, nao resisto a acompanha-lo com um leve sorriso, apesar da minha tristeza.
-E então, moça, como é a sua graça?
-Como? -Pisco os olhos algumas vezes confusa
-Seu nome, fico ressentido em ver como as gerações hoje em dia tem pouco conhecimeto das palavras.
-Meu nome eh Lilian.
-Lilian, um nom doce para uma pessoa doce...bom, depende, doce se a ultima vitima nao for diabetica, pois nesse caso fica impossivel...
Olho para Dereck divertida, seu cenho está franzido e imita a pose da estatua "O penador", no ar. Rio e praticamente me esqueço o que me aborrecia antes de encontra-lo. Ele sorri de volta e pega minha mão me arrastando novamente pela rua.
-Vamos, notei que está com fome, precisa de algo...ou alguem para se alimentar.
Não falo nada e apenas deixo que ele me arraste para um beco. A 2 homens e começo a me dirigir para o mais perto, mas sinto ele me puchando para tras.
-Não, esse não - ele cochicha perto de meu ouvido
-E porque nao? Qual a diferença?
-Ele é um bom homem, não merece morrer.
-Ele é simplesmente comida e...-reviro os olhos e decido nao arranjar confusao, caminho até o homem que esta mais longe, Dereck leva o outro homem para fora do beco com alguma desculpa esfarrapada, enquanto eu caminho para o outro homem, não me dou ao trabalho de fazer jogos, minha fome é muita para isso. Meus dentes já estão a amostra, e meus passos são de uma caçadora. Consigo sentir o cheiro de medo vindo do homem.
Me aproximo devagar, brincando com o medo dele, saboreio cada segundo, cravo minhas garras em seu pescoço, nao o mato, soh olho fundo em seus olhos. Até ouvir uma voz atrás de mim e sentir uma mao fria em meu ombro.
-Anda Lilian, ninguem merece passar por isso...
Cravo minhas presas no homem e sinto o sangue escorrer para dentro de mim...ah essa sensação...é a mesma coisa que alcool para um alcolatra, ou ópio para um viciado, com a diferença que em vez de me matar, é a unica coisa que me faz viver...