A primeira vez que a vi foi saindo de um prédio que, acredito eu, era seu trabalho, parecia solitária, porém não indefesa, emanava uma força incomum.
Segui-a até sua casa....mas não pude entrar por falta de convite. Malditas sejam as regras vampíricas!
Calmamente esperei até que ela saísse de novo, o que não demorou muito, continuei seguindo-a. Vi-a entrar em um bar e sentar-se em uma mesa perto da janela, esperar o garoçom e pedir um whisk, não estava com paciência para esperar até que ela saísse....fui embora.
Estava decidido a deixar de caçar áquela mulher....mas algo me impedia de seguir esta decisão. Novamente segui para a frente do prédio, observei enquanto ela saía e me pus atrás de seus passos.
Essa cena se repetiu vários dias...para não dizer semanas´...até que conhecia sua rotina e sua alma tão bem quanto ela mesma....talvez melhor.
Por fim havia chegado o dia que cuidadosamente escolhi. Desta vez quando a vi passar pela porta do bar, segui logo atrás, tomei o cuidado em escolher uma mesa em que meu rosto ficasse de frente para o dela.
Por algum tempo me contentei em observá-la. Não chamou o maitrê, nunca chamava, sempre esperava que viesse até ela....creio que era muito orgulhosa para fazer algo que diferrise disso.
Antes que o rapaz tivesse a oportunidade de atendê-la, fui até sua mesa e me sentei na cadeira mais p´roxima que havia sem que eu estivesse ao seu lado.
Sorri, chamei o atendente e pedi um vinho para mim e um whisk para ela....como havia oservado-a fazer tantas e tantas vezes.
Observei com divertimento o espanto estampado em seu rosto quando eu não precisei perguntar o que ela queria. Um sorriso novamente teimou aparecer em meus lábios.
Os drinks chegaram. Fiquei passando meus dedos pela borda do meu copo. Ela nem ao menos fez menção de beber.Estava demasiado tensa por conta do silêncio prolongado. Ri abertamente. Ela pensava em como começar um assunto....resolvi eu mesmo fazê-lo.
-Não precisa.
Ela me fitou por algum tempo sem entender.
-Apesar de não estarmos produzindo som algum estamos nos comunicando desde que você passou por aquela porta -Disse, apontando para a saída.
Seu cheiro mudou assim como seu humor....estava com medo.
-Eu sei que estás curiosas para descobrir quem sou eu....ou pelo menos um pouco mais de mim, acho justo, já que já sei o suficiente sobre você.
Levantei e estendi minha mão para ela, não sem algum receio mas quase que imediatamente aceitou.
A noite estava linda....percebi que ela pensava o mesmo. Quando decidi que já estávamos suficientemente afastados parei.
Virei calmamente para ela e sorri, agora com as presas à amostra....ninguém poderia fazer idéia de como eu havia esperado por isso.
Percebi seu intuito de fugir e rapidamente a segurei pelo pescoço, cuidando para não machucá-la ou sufocá-la.
-Não tenhas medo criança....ontem eras uma simples mortal....hoje vou te dar a vida eterna!
Vi que se acalmava, pois aos poucos foi parando de se debater, sentiu que minhas intenções não eram ruins.
Cravei meus dentes em seu pescoço, senti seu doce sangue entrando e queimando minha garganta....já havia feito isso várias vezes....mas mesmo depois de tantos séculos o êxtase era o mesmo.
Quando senti que se eu insistisse em continuar ela morreria, tirei minhas presas de seu pescoço, segurei-a gentilmente , abri meu pulso e lhe ofereci o sangue para beber.
Quando já era o suficiente ela se ergueu sozinha e havia um novo brilho em seus olhos...era uma nova mulher ....uma vampira.
quinta-feira, 30 de abril de 2009
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