Passo o dia no esconderijo de Derick, ele se mostrou absolutamente encantador e bem-humorado durante toda a noite. Me senti viva, depois de muito tempo...a companhia de Alexandre sempre foi e sempre seria única, porém, me fazia sentir ser o que eu sou, um cadaver que se mistura entre os vivos...
Acordei olhando para 2 poços de tristeza...quase era papel a dor emanante deles...
-Bom dia Bela adormecida, os raios da lua brilham la fora, e esse brilho não nos faz virar pó...pó hoje em dia é contra lei sabia? Somos fora-da-lei além de tudo...tsc...
Ele torce o nariz e olha para mim como se dissesse "Viu?", levanto do lugar onde havia encontrado para dormir. O local é tão diferente da alcova de Alexandre...
Esse lugar parece ter vida, uma casa de vários cômodos antiga com janelas que só são abertas durante a noite, e durante o dia ficam fechadas por grossas camadas de madeira.
A alcova em que antes vivia era um tanto decadente. Um buraco que ele havia cavado em baixo da terra para proteger seus livros e para sobreviver longe do sol, usando isso como um eterno martírio por ser o que era, uma criatura maldita renegada por todas as outras espécies e muitas vezes pela sua própria...ou ao menos assim Alexandre pensa que somos, nada me impede de pensar diferente, ja foi em busca de outros pontos de vista e...
E somos criaturas superiores, no topo da cadeia alimentar, não há nada que possa nos atingir além dos nossos prórprios semelhantes e do Sol, o astro-rei. Humanos morreriam sem ele, nós podemos levar a vida perfeitamente com a sua ausência...
Percebo que Dereck fala algo, mas não ouço som por estar demasiado perdida em meus pensamentos, vejo somente seus lábios em forma de coração se movimentando na minha frente, e parando em um doce sorriso...
-E você não ouviu nenhuma palavra que eu falei, nada sobre as incriveis viagens, o jantar ... nada...
Dereck suspira parecendo decepcionado, por um momento o levo a sério, mas seu jeito brincalhão sempre o denuncia e ele me pucha obrigando-me a levantar.
-Vamos, vamos aproveitar o que a noite tem de bom sem preocupar-nos com as coisas tolas que os humanos são obrigados a prestar atenção..já pensou? nos pararem na rua "Vamos, entrega tudo" com uma arma na mao "Tudo? e minhas presas?" imagine só o quanto não correriam.
Não pude deixar de rir pensando na cena, humanos tem a mania de pensar que estão seguros por portar algo que possam atingir de longe.
-Certo, certo...
Deixo que ele me arraste para fora, para a noite...onde e quando nos camuflamos perfeitamente com o resto da população.
Olho em volta, não sinto fome, a caça da noite passada foi suficiente por algum tempo, e sei que Dereck também já caçou, não sei a quanto tempo, mas suas bochechas coradas denunciam sua satisfação.
-Então, a quanto tempo você não nada?
-Nada?
-è... nada...nadar...costumava ser feito na agua na minha ápoca...
domingo, 7 de março de 2010
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