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sexta-feira, 25 de setembro de 2009

O primeiro adeus...

Muito tempo havia se passado desde que tinha saboreado minha presa...mais ou menos um ano...
Acreditava eu ser autosuficiente, que poderia seguir sozinha, resolvi falar com Alexandre.
Sabia exatamente onde estava...biblioteca. Pelas minhas contas a maior parte de seus dias é passada lá. Entrei pela porta do vestibulo e la estava ele...ainda não estava absorto na sua leitura, estava procurando algo em específico. Quantas vezes já não havia visto aquele olhar? Seus olhos acinzentados percorrendo os títulos rapidamente, sobrancelhas próximas, boca franzida, andando na frente das várias prateleiras em busca de algo que provavelmente levaria horas pra achar, sem ouvir ou ver absolutamente nada a sua volta.
Comecei a me aproximar dele, lenta e silenciosamente, sempre adorei pregar-lhe sustos, e se assustava com singular facilidade, ou fingia muitissimo bem...
Deixei minhas presas aflorarem, se meu coração ainda batesse nesse momento estaria descompassado, sempre tive consciencia do poder que Alexandre possuia.
Acelerei o passo...cada vez mais...e mais...dei um pequeno salto e vi seu corpo se aproximando, sem me perceber, cravei os dentes em seu pescoço.
Logo que sentiu a pequena picada, eu senti maos fortes na minha volta, senti também o chão muito duro nas minhas costas, com uma força avassaladora alexandre me jogou ao chão, se com meu corpo morto assim mesmo dói, creio que se algum fio de vida corresse em mim nessa hora teira se esvaido. Ele teria me destruído, se não visse a tempo que era sua cria, nunca conseguirei descrever com exatidão o que vi em seus olhos naquele momento, de tão profundos que estavam, poderia perder-me neles se tivesse a oportunidade...
-Lilian! Nunca mais faça isso, entendeu?
-Claro ó grande mestre sobre todas as coisas
Meu tom foi zombeteiro, o que automaticamente o deixou irritado. Não consegui reprimir a tempo e um pequeno sorriso sarcástico surgiu em meu rosto.
-Você realmente não entende, não é mesmo? Ser vampira não significa apenas divertir-se o tempo todo, criança, aprenda isso.
Com essa frase por ele falada e prepotente como estava sai do sério, e quando falei minha voz saiu carregada de cólera e desprezo.
-Não tens direito algum em chamar-me de criança. Sei perfeitamente bem que a morte em que me encontro não é uma brincadeira, não tenho necessidade que me lembre de coisa alguma.
-Está bem, talvez você...
-Não quero ouvir!
De repente senti a calma invadir-me e comecei a utilizar um tom extremamente frio.
-Não preciso ouvir.
-Como assim não precisa....?
-Simples, estou dizendo que não preciso mais de ti. Se preocupaste em me ensinar a ser vampira e aprendi muito bem isso, agora não preciso mais dos teus ensinamentos, fique com eles, posso muito bem seguir sem, realmente, não preciso mais deles!!
Dizendo isso virei as costas e segui sem olhar para trás. Talvez se tivesse virado teria voltado e pedido perdão, evitando assim de cometer um dos maiores erros de minha existência...

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