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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Sozinha...

Sai da casa de Alexandre e andei com todas as forças que tinha, decidida a me afastar o máximo possível do local que até então fora meu abrigo, minha casa, e da pessoa que me tratou como uma familia.
Fugi como uma ladra do meu local de conforto, do meu porto seguro...direto para a noite incerta.
Somente horas depois de minha quase fuga parei para pensar no que tinha feito, no que tinha jogado para o auto, simplesmente me desfiz de tudo que conhecia nesse novo mundo que eu agora pertencia sem olhar duas vezes, e sem dizer um até logo em vez de adeus...
Agora não havia mais volta, na minha mente ele jamais aceitaria meu pedido de perdão, talvez porque fosse o que eu faria em seu lugar.
Olheu em volta e tudo que vi foi uma escuridão que devorava tudo sem dó nem piedade, e me senti solitária, perdida em um lugar estranho onde monstros espreitavam a minha volta, até mesmo o mais leve farfalhar de folhas me causava medo, à mim, uma vampira, um ser na cadeira do topo alimentar...
Mas sabia que estava certa por temer...por temer aqueles iguais à mim, Alexandre havia me contado do que eram capazes, e também que não gostavam de Neófitos, novos vampiros quase sempre causam problema, fazem demasiado alarde, vi até mesmo ele exterminando alguns...
A Besta gritou por sangue dentro de mim e senti o sangue queimar por minhas veias e minha garganta arder com as pessoas vivas a minha volta, lutei para me controlar, não aqui...não agora...
Minha principal preocupação não era a fome que sentia, e sim arrumar aliados, vampiros sozinhos sao presas fáceis para Ancillaes, os antigos vampiros...
Sentei na calçada e olhei em volta, as luzes fortes da cidade me doíam um pouco os olhos, meu estomago doía, e se eu fosse capaz choraria, mas meu organismo ainda nao era forte o suficiente para voltar a produzir lágrimas, então nem mesmo elas me serviriam de consolo agora...
Percebi a presença de outro, alguem igual a mim, e senti olhos cravados em meu rosto, olhei em volta com a esperança de ver Alexandre, de que ele tivesse me seguido, que fosse me chamar de menina mimada e me arrastar para casa...mas as esperanças se esvaíram quando deparei com meu observador. Cabelo loiro caindo na altura das orelhas, repicado e levemente bagunçado, como se nao tivesse visto escova ao acordar, olhos verde-azulados, muito claros, alto, mais que Alexandre com certeza, e quando percebeu que eu o fitava abriu um sorriso que podia ser descrito como de orelha a orelha e começou a andar em minha direção.
-Boa noite dama Escarlate. Não sabia que agora também pessoas com tratamento dentario diferenciado tinham o costume de vir aqui, além de mim é claro.
Me prepara mentalmente para dar uma resposta ferina, mas nao tenho tempo, em poucos segundos o rapaz me pucha pela mão alegremente pela rua.
-Desculpe se fui rude, mas tive uma leve impressão que se eu esperasse para você aceitar uma mão estendida viraria cinzas antes. Me chamo Derick, e você como se chama?
-Achei que vampiros pudessem ler pensamentos.
-Claro, claro que podem! Mas que graça teria saber como você gostou de mim e não tem vontade de sair do meu lado? além de sua reação inicial ter sido somente um pequeno choque pela minha beleza pálida nunca vista antes...hahaha
Dereck, o rapaz, começa a rir sozinho e faz algumas caretas de Don Juan, nao resisto a acompanha-lo com um leve sorriso, apesar da minha tristeza.
-E então, moça, como é a sua graça?
-Como? -Pisco os olhos algumas vezes confusa
-Seu nome, fico ressentido em ver como as gerações hoje em dia tem pouco conhecimeto das palavras.
-Meu nome eh Lilian.
-Lilian, um nom doce para uma pessoa doce...bom, depende, doce se a ultima vitima nao for diabetica, pois nesse caso fica impossivel...
Olho para Dereck divertida, seu cenho está franzido e imita a pose da estatua "O penador", no ar. Rio e praticamente me esqueço o que me aborrecia antes de encontra-lo. Ele sorri de volta e pega minha mão me arrastando novamente pela rua.
-Vamos, notei que está com fome, precisa de algo...ou alguem para se alimentar.
Não falo nada e apenas deixo que ele me arraste para um beco. A 2 homens e começo a me dirigir para o mais perto, mas sinto ele me puchando para tras.
-Não, esse não - ele cochicha perto de meu ouvido
-E porque nao? Qual a diferença?
-Ele é um bom homem, não merece morrer.
-Ele é simplesmente comida e...-reviro os olhos e decido nao arranjar confusao, caminho até o homem que esta mais longe, Dereck leva o outro homem para fora do beco com alguma desculpa esfarrapada, enquanto eu caminho para o outro homem, não me dou ao trabalho de fazer jogos, minha fome é muita para isso. Meus dentes já estão a amostra, e meus passos são de uma caçadora. Consigo sentir o cheiro de medo vindo do homem.
Me aproximo devagar, brincando com o medo dele, saboreio cada segundo, cravo minhas garras em seu pescoço, nao o mato, soh olho fundo em seus olhos. Até ouvir uma voz atrás de mim e sentir uma mao fria em meu ombro.
-Anda Lilian, ninguem merece passar por isso...
Cravo minhas presas no homem e sinto o sangue escorrer para dentro de mim...ah essa sensação...é a mesma coisa que alcool para um alcolatra, ou ópio para um viciado, com a diferença que em vez de me matar, é a unica coisa que me faz viver...

Um comentário:

Crepúsculo misterioso disse...

Muito bom continue escrevendo, estou ansiosa para ler outros contos.